FILMES 04


01 - Cruzeiro das Loucas (Boat Trip, ???, 03) - DVD/dia1 25

02 - Homem-Aranha 2 (Spider-Man 2, Sam Raimi, 04) - Cinema/dia2 72

03 - /Homem-Aranha 2/ [2a] (Spider-Man 2, Sam Raimi, 04) - Cinema/dia5 70

04 - Garfield - O Filme (Garfield The Movie, Pete Hewit, 04) - Cinema/dia17 28

05 - O Último Samurai (The Last Samurai, Edward Zwick, 03) - DVD/dia19 39

[Blergh, muito chato. Previsível falar que é previsível. Sanduíche de obviedade, recheado com um pinguinho de história bacana sobre amizade, mas que no final não é suficiente para dar gosto considerável ao conjunto. Comi obrigado pela mamãe, lutando contra os cochilos - e continuo sem entender a mania que esse povo tem de querer (melo)dramatizar até não poder mais toda e qualquer cena, meu Deus.]

06 - Primavera, verão, outono, inverno...e primavera (Bom yeoreum gaeul gyeoul geurigo bom, Kim Ki-duk, 03) - Cinema/dia20 63

[Narrativa e metaforicamente óbvio (há portas se abrindo/fechando para o ínicio/fim de cada fase da vida, a estrutura é circular - como a vida, segundo o filme e o próprio título já deixa claro - e torna-se excessivamente previsível), me pareceu um bocado dependente do clima poético e da beleza estética das locações, embora não me sinta seguro afirmando uma coisa dessas antes de uma possível revisão. Mas mais interessante é com certeza o discurso pró-ser humano (anti-Dogville? :-D) ensaiado pelo filme. Todos somos aptos à maldade (o garotinho e a "brincadeira" com os peixes; o homem desapontado cego pelo ciúme), parece querer dizer o diretor, mas da mesma forma todos podemos aprender a lidar com ela da melhor maneira possível (o choro pós-compreensão da criança; a volta do homem, agora completamente maduro, ao templo). Vontade de ver de novo e conhecer melhor o cinema desse Kim Ki-duk.]

07 - Dez (10, Abbas Kiarostami, 02) - DVD/dia21 87

[Protagonista sem nome = sua amiga, sua irmã, sua tia ou sua mãe. Não-atores que têm performances assustadoras, fazendo com que as discussões presentes no filme fluam com naturalidade e soem absolutamente reais (é certo que passa pela cabeça de um turbilhão de gente pensamentos como "eu já disse isso à fulano, eu já ouvi isso de cicrano", etc). Kiarostami aproxima ao máximo a ação da tela com a que é vivida pelo espectador, chegando inclusive a confundir - você nunca saberá ao certo se o que está vendo é ficção ou documentário. Nesse ponto não vejo como a narrativa, com câmera sempre fixa e dividida em dez segmentos aparentemente distintos, poderia funcionar melhor. Cenas pertubadores (o que é aquele discussão do começo? Chegou à um ponto onde eu já estava começando a imitar os movimentos do moleque sem perceber), comentários e questionamentos a respeito da posição ocupada pela mulher no Oriente Médio sempre bastante pertinentes (o que separa, naquela realidade, a prostitua da esposa?). No final é tudo sobre alguém que busca desesperadamente por algum espaço para que possa, simplesmente, viver com paz e tranquilidade.]

08 - Ligado em Você (Stuck on You, Farrelly Brothers, 03) - DVD/dia22 76

[Me admira, no cinema dos Farrely, a capacidade notável - que é uma constante e vêm crescendo e sendo aperfeiçoada desde Débi & Lóide, diga-se - de se transformar todo e qualquer personagem (do garçom deficiente à gostosa-burra-aspirante-a-atriz, dos protagonistas de bom coração à celebridade decadente metida) em alguém tão real e importante quanto eu e você. Eles mudaram, sim, e com eles seus filmes - mas a questão é: onde vêem um amolecimento nas piadas, rendição à Hollywood e coias do tipo, eu não consigo ver outra coisa a não ser evolução (a tiração de sarro com Hollywood aqui é engraçadíssima, aliás). A cada novo filme testemunhamos uma obra mais lúcida, consciente e funcional (quer rir, pois não). Que me avisem quando mudar assim for ruim.]

09 - Confidence: O Golpe Perfeito (Confidence, James Foley, 03) - DVD/dia22 51

[Ai ai, mais um filme de roubo. Piloto automomático, enésima variação do tipo, etc. Ainda bem que esse aqui especificadamente é bastante divertidinho, flui muito bem e tem um timing cômico razoável, apesar de Edward Burns quase estragar tudo com sua atuação na melhor das hipóteses horrorosa. Dustin Hoffman e Andy Garcia dando show, deveriam ter seus personagens melhor explorados. Passatempo vazio mas indolor, que não faz falta alguma. Pra ver numa madrugada tipo essa aqui de hoje, no máximo.]

10 - O Agente da Estação (The Station Agent, Thomas McCarthy, 03) - Cinema/dia22 73

[Excelentes interpretações a serviço de ótimos personagens, nos quais o filme parece realmente interessado e disposto a explorar - algo que, convenhamos, um pouco mais e se tornava raridade no atual cinema independente americano. Lida muito bem com as tramas paralelas, e é bastante feliz na caracterização do seu personagem central: um anão aposentado que não se julga diferente de ninguém ("eu não entendo [o motivo pela qual é alvo de brincadeiras de gosto duvidoso e olhares curiosos], sou apenas uma pessoal simples e sem graça", diz ele). O filme, sabiamente, não ignora nem supervaloriza o fato do seu protagonista ser alguém diferente da maioria das pessoas, quando poderia facilmente reduzi-lo a piadinhas sem graça + tenham pena de mim, etc. Nucha chega a ser fenomenal, mas é, do início ao fim, uma bonita e prazerosa ode à amizade.]

11 - Matadores de Velhinhas (The LadyKillers, Coen Brothers, 04) - Cinema/dia22 44

[Quando não são personagens ruins (fortão-idiota? Hahaha. Japonês-introspectivo-com- bigodinho-à-Hitler? Hahaha. Martin Law...Irma P. Hall como a negra-gorda-velha-americana-que-vai-a-igreja-e-dá-esporro-em-todo-mundo? Hahaha), são personagens mal interpretados (Tom Hanks tão, tão, mas tããão forçado...). O que temos aqui, muito em consequência desses dois fatores, é uma comédia onde a maioria das piadas não funciona e em alguns momentos chega a beirar o constrangedor. A idéia da apresentação dos coadjuvantes é boa, mas absurdamente deslocada (é como se fosse outro filme, com os mesmos personagens mas completamente distinto do que estamos vendo). Há sinais claros de desleixo nos Coen (uma motivação para o crime cometido é algo primário, não?), e no anti-clímax do final, a ironia se perde, literalmente. Perdida em algum lugar do passado, provavelmente junto com aqueles diretores que antigamente nos brindavam com filmes como Fargo e O homem que não estava lá.]

12 - Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, Michel Gondry, 04) - Cinema/dia24 60

[Uma bosta - cheio de truques espertos, roteiro excessivamente calculado, uma colcha de retalhos de momentos românticos bonitinhos múltiplos e variados acentuados por trilha sonora obviamente mela-cueca, de discurso fácil (aquele OK do final é o supra-sumo da mensagem CUTE-"vale a pena a pesar de...") -, maaaas, por alguma razão ainda infelizmente desconhecida pela minha pessoa, adorei. E acompanhei tudo com um ar de satisfação que normalmente só indentifico naqueles filmes encantadores que te deixam bobo, e um sorriso no rosto que era eventualmente transformado em leve gargalhada - com direito a achar uma ou outra coisa brilhante aqui e ali (tipo a sequência pré-créditos e a fuga para as memórias da infância - que são, assim, QUALQUER COISA - ou então o "oh, tem umas pessoas saindo pela tua bunda!" que tem um cheiro delicioso de improviso Carreyano (very well thanks), como costumam dizer. Não sei se sou esquizofrênico ou coisa do tipo, mas essa situação tá me dando aflição. Pretendo rever o filme e espero encontrar uma solução, porque desse jeito definitivamente NÃO DÁ. Em tempo: Kirsten Dunst dançando chapada de calcinha e blusa branca meio transparante + Kate Winslet (very well thanks) olhando mancha rocha na bunda por aproximadamente 3 segundos = graaaandes momentos.]


13 - /Simplesmente Amor/ [2a] (Love Actually, Richard Curtis, 03) - DVD/dia26 80

[Primeira cena. Um turbilhão de gente em aeroportos, se abraçando, se beijando. Entra a narração em off de Hugh Grant, que diz alguma coisa desse tipo: "o mundo não é um lugar cheio de amor? Quando vou aos aeroportos, eu percebo que o amor, na verdade, está em todo lugar." Ok, e eu espero o quê? Ficção científica, fantasia, O Mágico de Oz? Custei a acreditar e perceber, mas Simplesmente Amor é um filme que pede, GRITA, quase implora para que o espectador tome nota de que o que está vendo ali é tudo, menos algo cível, real, humanamente possível, até. Um garotinho de não mais que 10 anos, correndo em um aeroporto (mais uma vez) atrás de seu grande amor, querendo se declarar, com todos os seguranças do lugar atrás dele sem nunca alcançá-lo (em algo que nos lembra aquelas perseguições-à pé onde o vilão escurrega na banana ou algo do tipo). Definitivamente, não dá - eu sei, você sabe, o filme concorda. Como disse alguém na época do lançamento, isto aqui é pé na jaca total e assumido, e por isso funciona tão bem. Diabétios, stay away. Simplesmente amor nos apresenta uma realidade pararela, um mundo fantasma feito de açucar, pessoas boas e amor por toda parte. Um lugar melhor que não existe e todo mundo sabe que não existe. E eu gostei, porque quando vi não tinha nem notado e estava lá naquele planeta estranho rindo como um bobo e achando tudo lindo e cheio de amor. É um filme que, se não fizer mais nada (e faz), nos faz mergulhar de cabeça em sua própria realidade. E aí eu fico pensando: se não há cinema a sair pelo ladrão nisso aí tudo, onde mais há?]

14 - /Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças/ [2a] (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, Michel Gondry, 04) - Cinema/dia26 45

[Não consigo, de fato, arrancar nada do suposto filme sobre (ahn) relacionamentos amoros, além de uma mensagenzinha cute (basicamente: não há nada sem ceder e difeferenças sempre vão existir, bons momentos vêm, invariavelmente, ao lado de maus, mas os bons valem muito a pena e é preciso aprender a lidar com isso etc) - e que, convenhamos, já faz parte do livrinho de conhecimentos imaginário que há dentro da cabeça (pescou, pescou?) de todo e qualquer ser humano com um mínimo de experiência no assunto. Interessante e ótimo a presença de Simplesmente Amor entre a visão e a revisão do filme; ficou claro pra mim a diferença entre os recursos que os dois filmes usam para cativar e emocionar o espectador diante de suas melosas histórinhas de amor - enquanto Brilho eterno tá sempre com medo e tentando esconder os truques que usa (do cabelo de Kate Winslet ao Jim Carrey miniatura das memórias infantis), tentando se passar por algo maior e melhor (em sua própria mente louca), o primeiro tem plena consciência do que está fazendo, não parece estar nem aí pra isso, e chama o espectador pra entrar naquele brincadeira que lhe trará, no final, compensação. O que não acontece no caso do filme de Gondry, que apenas arranha alguma genuinidade (precisamente na cena onde Winslet diz: "pois é, dentro de pouco tempo vai tudo acabar, o quê a gente faz?", e Carrey responde secamente, num misto de alegria e tristeza e no melhor momento de um de seus melhores momentos como ator: "Enjoy.") e diversão rasa (é mais válido se deixar levar pelos truques, no fim das contas). Dessa vez encarei o OK final não com um sorriso no rosto, mas sim com um "é..." de decepção.]

15 - Fahrenheit 11 de Setembro (Fahrenheit 9/11, Michael Moore, 04) - Cinema/dia31 79

[Moore mostra-se um tanto limitado enquanto documentarista, e usa aqui a mesmíssima estrutura de Tiros em Columbine - nota-se a presença de uma musiquinha cool (que funciona) à cada novo, digamos, "parágrafo" do filme, e a cena do final, sai K-Mart entra mãe-chorando-pelo-filho-em-frente-a-Casa Branca (numa sequência que deixa sérias dúvidas quanto à sua autenticidade, aliás). Incomoda, além disso, o retrato desnecesariamente forçado de um Iraque feliz e colorido pré-bombardeio norte-americano. É um filme datado, como todos vêm dizendo, e assumidamente panfletário. Moore não quer Bush reeleito e fará o que puder para que tal fato não se concretize, ponto.Fará o que puder MEEESMO, ponto. É louvável a imensa, absurda, exagerada vontade que o cineasta tem de tirar Bush do poder, de dar informações que para ele são essenciais, de dar a chance do mundo ver as coisas por um outro e novo ângulo. Por acreditar tanto no que diz, Moore faz com que alguns dos espectadores o vejam como um homem que julga-se capaz de disparar verdades atrás de verdades - poder esse que evidentemente ninguém possui, blá blá blá. Eu não faço parte dessa parcela do público, e acho inclusive que esse fato só faz a obra de Moore se tornar mais honesta e sincera. A impressão que tenho é de que, para ele, fazer com que o espectador saia do cinema convencido é mais um de seus deveres enquanto cidadão americano - chamem-me de ingênuo, inocente, achem isso ruim; mas eu vejo aí uma juvelinidade quase-encantadora, que é a principal responsável pelo filme se auto-afirmar (e ser) tão urgente e necessário. Surpreende o excelente uso das imagens - muita coisa dita no filme já é figurinha antiga do discurso de Moore, mas muda completamente de figura quando vista num cinema (basta comparar a sensação de ver o filme com a de ler o livro). Imagens que por si só assustam, chocam, surpreendem, divertem, emocionam, esclarecem. E quando é hora do ataque às Torres Gêmeas a tela fica preta. Desfecho na mosca; pra ver de novo, de preferência antes das eleições.]

01 - Um Tiro na Noite (Blow Out, Brian DePalma, 81) - DVD/dia2 82

[Deveria se chamar "John Travolta contra o som". O filme é todo construído em cima do sonoplasta interpretado por Travolta, e a relação (completamente falsa-amiga, digamos) deste com seu objeto de trabalho. Se Dublê de Corpo dialogava sobre a imagem e o poder de enganação que ela tem, este aqui é claramente intencionado a nos dizer o quanto mínimos ruídos significam na, ahn, vida moderna. O final amargamente irônico é sensacional -- e, só pra variar um pouco, DePalma filma uma meia dúzia de cenas espetaculares.]

02 - Mulheres Perfeitas (Stepford Wives, Frank Oz, 04) - Cinema/dia3 27

[Bom, se me lembro bem (vi o filme há mais de 6 horas, e esse é um daqueles casos onde não se pode exigir muito), não passa de uma amplamente fracassada tentativa de comédia-besta-para-satisfazer-o-público-médio (e só isso), onde os momentos constrangedores ultrapassam os verdadeiramente cômicos (não dei uma risada sequer), que não tem mais coisa alguma a oferecer e muito menos a pretensão de, o que me irrita profundamente. Reviravoltas-desnecessárias-mil, em um final que faz questão de explicitar e explicar tudo, para que não haja a mínima possibilidade de algum espectador (burro, porque é assim que o filme os trata) sair do cinema perguntando por quê tal personagem agiu de tal forma em tal situação, etc.]

03 - Meninas Malvadas (Mean Girls, Mark Waters, 04) - Cinema/dia3 53

[...e eis que de repente, assim, sem mais nem menos, desiste-se de um cinismo e ironia deliciosos, para que entre em cena um filme que aposta em lições de moral e mensagens-bonitinhas-batidas, que definitivamente não é o mesmo que se via até, seilá, 2 terços da projeção. Enquanto eram meninas malvadas que estavam na tela, me divertia bastante e até procurava absorver alguma coisa daquilo tudo (acredito que haja conteúdo, sim). Mas, a partir do momento em que estas meninas descobrem que ser boazinha é, err, mais legal, a grande maioria das gags não funciona e levar qualquer coisa a sério se torna tarefa das mais complicadas. É como se os realizadores se envergonhassem do que vinham dizendo até alí, e se esforçassem para reverter a situação. E aí, amigo, não dá pra mim não.

04 - O Efeito Borboleta (The Butterfly Effect, Eric Bress/J. Mackye Gruber, 04) - Cinema/dia4 73

[Comentário maior AQUI.]

05 - Lições para toda a Vida (Secondhand Lions, Tim McCanlies, 03) - DVD/dia7 30

06 - HellBoy (idem, Guillermo Del Toro, 04) - Cinema/dia7 59

[Nem tão Hellboy quanto as pessoas vêm dizendo e quanto poderia ser. Não chega as proporções de um Garfield, longe disso, mas a essência do personagem (e do filme, por consequência) simplesmente desaparece lá pela segunda metade, quando a maior parte do interesse acaba recaindo para uma trama meia-boca sobre um careca e uma loira (vilões fraquinhos-fraquinhos) que querem, errr...dominar o mundo, acho eu. Mas, e ainda apesar de Selma Blair como mocinha ser FOGO (pescou, pescou?), é uma pedida razoável para duas horas de diversão sem compromisso. (Ron Pearlman é o que há, fala aí.)]

07 - Aos Treze (Thirteen, Catherine Hardwicke, 03) - DVD/dia9 43

08 - Eu, Robô (I, Robot, Alex Proyas, 04) - Cinema/dia10 58

[Melhor do que eu esperava, ainda que nada muito relevante. Basicamente o que há é um esboço de tudo aquilo que, suponho eu, está no livro pelo qual o filme é "sugerido por" - questões que iriam além de cenas de ação barulhentas, mas aqui não vão, justamente porque, err...esse é um filme de cenas de ação barulhentas, oras. O que por si só já contraria toda a visão que o autor do livro que sugeriu o filme possuia (uma ficção científica menos fincada em imagens futuristas - efeitos digitais, no caso específico), e isso pode irritar bastante fã, mas enfim; não há muito mais a se esperar de um produto tão assumidamente hollywoodiano como esse. Que, como produto assumidamente hollywodiano, até que segura as pontas com uma dignidade razoável - pelo menos quando a mocinha não precisa chorar em cena. O humor-raso-will smith funciona, e é divertido constatar que o robô Sonny é o personagem mais humano que você vai encontrar durante a projeção, e dono da melhor interpretação do longa.]

09 - Sexta-feira Muito Louca (Freaky Friday, Mark Waters, 04) - DVD/dia11 60

[Pois é, o filme é bem bacana mesmo. Divertido, bem atuado, agradabilíssimo de se ver. Tanto Jamie Lee Curtis quanto Lindsay Lohan são atrativos à parte quando interpretam o extremo oposto do que são - na tela e fora dela. O menininho também é ótimo. E, para um filme moralista da Disney, até me surpreende o fato do adolescente e do adulto serem, digamos, equivalentes, no que diz respeito aos problemas que cada um têm. Ninguém é mais do que ninguém, nenhum lado merece mais por algum motivo ou tem de ter mais obrigações e cobranças por outro. Só me parece que o filme traumatizou o tal do Mark Waters, que fez o que fez com Meninas Malvadas (#03, ler comentário), com teoricamente bem mais liberdade. Preso para sempre no mundo dos filmes moralistas da Disney? uhhhh]

10 - /Trainspotting - Sem Limites/ [2a] (Trainspotting, Danny Boyle, 96) - DVD/dia15 81

[O filme mau dos filmes sobre drogras, por assim dizer. Não tem intenção alguma de ser realista ou chocar alguém batendo na tecla ¿se você se drograr você vai morrer, então não se drogue e seja um bom menino etc¿. É quase irresponsável, é quase pró-drogas. Os personagens viciados, aqui, não são encarados como vítimas - têm, sim, total noção do que estão fazendo; se drograr é uma escolha. É um filme disposto a ser diferente, com uma vontade enorme de mudar, e só isso já me conquista completamente, ainda mais quando - como no caso aqui - se têm punch suficiente para aguentar o rótulo de clássico (pós, moderno, que seja). Personagens marcantes (Mark Renton beira um Travis Bickle, sem maiores comparações, como alguém diz no DVD), brilhantes atuações, trilha sonora perfeita.]

11 - No Pique de Nova York (New York Minute, Dennie Gordon, 04) - Cinema/dia18 33

12 - Ken Park (Larry Clark/Ed Lanchman, 02) - DVD/dia19 39

[Comentário maior AQUI.]
posted by Guga 10:40 PM


01 - /Por um fio/ (Phone Booth, Joel Shumacher, 03) - TV/dia15 58

02 - O terminal (The terminal, Steven Spielberg, 04) - Cinema/dia15 69

[Escorrega feio (pescou, pescou?) quando tenta levar adiante uma trama bonitinha-mas-ordinária que diz didaticamente - nada que chegue aos calcanhares de um ''Amistad'', no entanto - tudo aquilo que teoricamente já estava subentendido sem que fosse necessário fazê-lo. Mas quando deixa Tom Hanks simplesmente brilhar como um estrangeiro preso em um aeroporto, sem maiores pretensões ou interesses, é das coisas mais prazerosas que vi no cinema este ano. Ri à beça, e não ria assim ao assistir um filme há um bom tempo (rio agora se quiser lembrar de uma ou outra cena, acho que isso diz alguma coisa). As referências a Capra e Chaplin podem até ser óbvias (o herói tipicamente Capriano, comum, de bom coração etc, o jeito de andar à Carlitos do protagonista -- em Embriagado de Amor ninguém reclamou disso, reclamou?), mas Spielberg fez algo maior e mais difícil: deu a seu filme o mesmo espírito e gosto de um ''Aconteceu naquela noite'' ou um ''Tempos Modernos''. Soa como um ''muito obrigado por tudo, mas não sei como agradecer'' absolutamente sincero.]

03 - Colateral (Collateral, Michael Mann, 04) - Cinema/dia16 53

[Não me parece muito certo se quer ser uma peça de entretenimento barato para consumo rápido (utilização todos os clichês do gênero, mais interesse na trama do que nos personagens, etc) ou um quase-filme-de-arte a ser cultuado, com personagens bem desenvolvidos, multidimensionas e cenas de impacto como aquele em que protagonista e antagonista param nas ruas de Los Angeles e por dois minutos observam cães atravessando a Avenida, ao som de música melancólica e em câmera lenta. Na dúvida, acaba por não se resolver bem em nenhum aspecto -- soa forçado nessas investidas em sair do óbvio (a cena citada, o final) e aboslutamente comum quando o é (a sequência na boate, a perseguição no metrô). Fiquei sem saber (e provavelmente os realizadores disso aqui também estão bastante confusos) se é o filme do Tom Cruise como vilão, ou filme do Michael Mann sobre duas pessoas diferentes numa noite de Los Angeles.]

04 - Olhos de Rinoceronte (Rhinoceros eyes, Aron Woodley, 03) - Cinema/dia25 [*FESTIVAL DO RIO*]

30

[Primeira lição: nunca mais confiar nessas sinopses escritas sob encomenda para o Festival do Rio. Olhem isso: ''Jovem que passa a maior parte de seu tempo num cinema, quando apaixona-se precisa lutar contra seu maior inimigo: sua própria imaginação''. E eu pensando que podia esperar algo, err, no mínimo bastante diferente do pseudo-Donnie Darko de quinta categoria que encontrei. Os personagens não passam de esteriótipos (o garoto perturbado, o jovem policial honesto/determinado etc), a atuação do cidadão que interpreta o garoto perturbado em questão é das mais caricatas que já vi (o que são aquelas mãozinhas tortas, meu deus?) e a relação mundo real/cinema-mundo real/imaginação é explorada de maneira decente apenas uma vez ao longo dos aparentemente (e só aparentemente) curtos 90 minutos de projeção, no que resulta na provável única cena decente de todo o longa. Uma bosta.]

05 - Zatoichi (Zatoichi, Takeshi Kitano, 04) - Cinema/dia27 [*FESTIVAL DO RIO*]

78

[Há os mocinhos (pessoas boas, que fazem o bem porque...são pessoas boas) de um lado, e os bandidos (pessoas más, que fazem o mal porque...são pessoas más) de outro. Mas não decidi se isso é bom ou ruim, ainda transita (dentro dessa minha cabecinha oca e cheia de dúvidas) entre o simplista/pobre de conceito, e o ingênuo/otimista conquistador. Acho, no fundo, que é um pouco dos dois, e de qualquer forma não é um detalhe (o filme em si nem me parece muito interessado em discutir qualquer coisa nesse sentido) que vai me fazer deixar de apreciar algo tão delicioso de se assistir quanto isso aqui. Duas coisas me impressionam: a forte presença do humor na trama - sinceramente não fazia idéia de que ia rir tanto (lembra bastante KILL BILL nesse aspecto, pois é); e como isso é um filme tão excepcionalmente bem filmado. Como em DOLLS (único outro do diretor que vi), há uma penca de cenas/imagens assustadoramente lindas - a diferença é que este se comunicou bem melhor comigo; é de mais fácil aproximação, acho.]

06 - Dogora (Dogora, Patrice Leconte, 04) - Cinema/dia27 [*FESTIVAL DO RIO*]

52

[É bacana, as imagens são bonitas - se você fizer um esforço até pode-se dizer que elas falam um bocado sobre o que é a vida no Camboja -, acredito que seja um trabalho repleto de boas intenções. Mas enfim. Chega uma hora que cansa, esgota. E eu só tinha dormido 5 horas na noite anterior, dêem um desconto. Vi 45 minutos dos 80 e apaguei. (Nocaute técnico, eu diria)]

07 - O operário (The machinist, Brad Anderson, 04) - Cinema/dia27 *FESTIVAL DO RIO*

49

[Até curioso em alguns momentos, mas excessivamente óbvio e subaproveitado -- AH, e com uma atuação principal deveras afetada. O roteiro é uma bosta, espécie de campanha publicitária da polícia (´´se você atropelar algum menininho indefeso, meu filho, não fuja do local do acidente. Dê parte em alguma delagacia perto de você, caso contrário a sua pessoa ficará com a consciência pesada, desenvolverá uma insônia crônica que durará mais de um ano, se tornará paranóico e pode vir inclusive a acidentalmente matar companheiros de trabalho e tratal mal a mulher que ama. Cuidado``), mas se houvesse um diretor minimamente decente por trás disso tudo, não era muito complicado criar momentos de tensão, envolver o espectador. Do jeito que está, o máximo que faz é provocar umas risadas involuntárias vez por outra.]

08 - Kick 'n rush (2 ryk og 1 aflevering, Aage Rais, 03) - Cinema/dia28 [*FESTIVAL DO RIO*]

84

[Impossível falar qualquer coisa mais elaborada, pelo menos por enquanto. Ainda estou assustado com o quanto me identifiquei com isso aqui. Mas é um filme excelente, ainda se deixarmos de lado o fato de ter dialogado perfeitamente com a minha pessoa. Quero ver de novo, tomara que entre em circuito.]

09 - B-Happy (B-Happy, Gonzalo Justiniano, 03) - Cinema/dia29 [*FESTIVAL DO RIO*]

23

["Pobre coitada indefesa Vs A grande vilã Vida", poderia se chamar. Quer mostrar o quanto a Vida é dura e cruel, e o quanto algumas pessoas sofrem quando ela (a Vida) resolve lhes dar uma rasteira -- e acha que esse fato é o suficiente para se ter um bom filme em mãos, pff. Algo como "a protagonista está passando por maus bocados aí, tenham um pouco de consideração e gostem do meu longa-metragem medíocre". Noventa minutos de clichês e menininha-de-15-anos-sacaneada-pela Vida-em-situações-casca-grossa (a passagem pelo reformatório é o cúmulo, pelo amor de deus) filmados da maneira mais óbvia possível. É o EM NOME DE DEUS desse ano.]

10 - WHISKY (Whisky, Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll, 03) - Cinema/dia29 [*FESTIVAL DO RIO*]

71

[Claramente muito mais interessado em criar um clima de frieza/introversão estranhamente afetuso (características essas que também são atribuídas ao trio de personagens centrais), do que em qualquer outra coisa, como por exemplo dar continuidade a uma trama que em boa verdade nunca chegou a existir. E cria, a atmosfera é perfeita. É um filme que parece não querer nada além de querer muito falar sobre pessoas, e isso já é mais do que meio caminho andando. Encanta nas pequenas coisas - sejam elas gestos ou ações de seus personagens (todos eles defendidos por atores em grandes momentos), seja o modo absurdamente meticuloso como filma a rotina, seja a visão a respeito da solidão, seja o humor sutil que surge naturalmente e funciona em cada única investida.]

11 - Santa menina (La niña santa, Lucrecia Martel, 04) - Cinema/dia29 [*FESTIVAL DO RIO*]

61

[Não peguei o espírito da coisa (não percebi muito bem o que a diretora conceituada quis dizer, não achei a genialidade escondida no final impactante, não vi O Pântano). E tenho essa mania feia de não gostar dos filmes que não entendo -- ou não entendo, err, digamos, muito bem. Mas esse faço questão de rever (sabe lá Deus quando), porque cada vez mais tenho a certeza de que vi o trabalho de uma diretora segura, que tem total noção do que está fazendo, de câmera fascinante etc. Quer dizer: a verdade é que as imagens quase que me hipnotizam, mas eu tenho essa obsessão por conteúdo e sou muito orgulhoso, não sei conviver com a possibilidade de ter sido estúpido uma vez na vida. UPDATE: Não paro de pensar no filme, e ele não pára de crescer no meu conceito. Ao mesmo tempo em que cada vez mais tento - sem sucesso - compreender quase tudo relativo ao conteúdo (discussões sobre religião, sexo, família, e acho eu algumas outras coisas), cada vez mais me fascinam as imagens, o poder da câmera da diretora (que é uma coisa absruda). E de uma maneira meio inexplicável, que eu não consigo entender muito bem. A única coisa que sou capaz de fazer é ligar adjetivos positivos à palavras como imagens, câmera e direção. Mais é mais que isso, muito mais. Só preciso descbrir exatamente porquê.]

01 - A última vida no universo (Ruang rak noi nid mahasan, Pen-Ek Ratanaruang, 03) - Cinema/dia1

56

[Há coisas interessantes, sem dúvida, pricipalmente enquanto se vê um filme sobre relações entre irmãos (os dois protagonistas tiveram o irmão/irmã mortos, a trama tem início a partir desse ponto). Nesse quesito, o comentário geral é até um tanto óbvio e simplório, mas é também realizado de maneira bastante incomum -- pra dizer que independente do quanto diferente sejam, quantos conflitos existam etc, um sempre irá guardar alguma ou várias características do outro e vice-versa (não importando se você abomina aquela característica ou se a sua é o total oposto dela etc), o diretor imprime aos personagens -- sutil e lentamente, vale dizer -- características do irmão/irmã falecido (uma tatuagem, o modo de vestir-se, e assim por diante). Aquela pessoa que você superficialmente odeia e/ou não tem nada em comum com, irá te fazer falta, de uma forma ou de outra, basicamente. Discurso bonitinho, esse, especialmente para alguém que tem um dois irmãos mais novos (e uma relação totalmente ame & odeie com os ditos) como eu. Mas nem tudo é um mar de rosas, e esse é um filme muito estranho. Até agora não consigo decifrar qual o motivo/intenção de, ao final da projeção, investir-se em um lado cômico amplamente deslocado de tudo o que se via até ali. Ironia é algo que sem muito cuidado se perde facilmente, e mesmo com potencial (Takesshi Miike como um chefão da yakuza é algo engraçado em muitos lugares/situações, mas não num filme como esse, né?) é preciso saber o momento certo de empregá-las, caso contrário...elas não vão funcionar. É o caso aqui. O resultado termina por ser como uma piada contada ao fim de uma história que tinha a intençao de ser lavada a sério: a piada (mesmo se for engraçada - i.e. ter potencial, como Miike aqui) não tem graça, e tudo que faz é anular, tornar inútil, tudo aquilo que veio antes dela. Ou seja, lamentavelmente, acaba por não fazer nem um coisa nem outra.]

02 - A Vila (The Village, M. Night Shyamalan, 04) - Cinema/dia2 *comentario perceptivelmente escrito em teclado desconfigurado*

76

[Eh um filme que mais sugere do que diz - sim, é - mas quando enxergam isso como um aspecto negativo, nao consigo concordar. Eh tao eficiente, enquanto filme sobre cultura do medo, viver em sociedade, quanto se tomasse alguma posicao mais clara a respeito do assunto (se tomasse, inclusive, tenho minhas duvidas se funcionaria tao bem - qualquer afirmacao mais explicita inibiria o publico a iniciar discussoes, o que acredito seja o principal interesse do filme). Shyamalan deixa as canclusoes para serem tiradas pelo proprio espectador, e isso jah mostra o quanto seu cinema evoluiu desde O Sexto Sentido. Repare que as discussoes nao sao mais acerca do final super-surpreendente, mas sim sobre...o que quer que seja que Shyamalan queira falar - historias em quadrinhos, feh, o mundo de hoje. O que mais se pode querer de seu proprio publico, para alem de ter o conteudo pertinente de seu filme discutido, comentado, refletido etc? Em um suspense superficialmente convencional (fantasias que os filmes do diretor indiano vestem ateh hoje, em boa verdade, e aos poucos vem tentando se despir), sinceramente nao sei. Mas me impressiona a capacidade d'um filme como esse em atingir, se comunicar com o espectador - Shyamalan converte ateh o mais desinteressado em qualquer esperiencia extra-sala de cinema, aquele que ve o filme e, bem, ''aonde vamos jantar agora?''. Talvez porque seu filme seja plenamente satisfatorio em todas as vertentes. Como exercicio de suspense, veiculo para pregar sustos, eh fenomenal. A cena-chave do filme - a perseguicao na floresta, quando todos nos, espectadores e personagem, sabemos a verdade, mas nao somos capazes de nao sentir medo -, nao podia deixar isso mais claro. Shyamalan, acima e alem de tudo, sabe como poucos o que fazer com a camera - ha uma duzia de enquadramentos fascinantes (o dialogo entre Lucius e Ivy que culmina no primeiro beijo, Noah perdendo a cabeca com a faca, etc). Ah, enfim, quero ver de novo, e provavelmente vou gostar ainda mais. Esses filmes costumam subir em revisoes, sabe.]

03 - Pelota Basca: A Pele contra a Pedra (Pelota Vasca: La piel contra la piedra, Julio Medem, 03) - Cinema/dia4 [*FESTIVAL DO RIO*]

54

[Bastante correto, no mímino. Cumpre o que promete quando logo no começo da projeção surgem avisos de que trata-se de um documentário que respeita a opinião de ambas as partes, não tem intenção alguma de levantar bandeira pra ninguém, e principalmente sente pelas mortes que foram causadas em virtude do conflito - o enfoque permanece nesse ponto até o fim dos 115 minutos de entrevistas com os mais variados tipos de pessoas, acredito. Aibda bem, é menos didático do que eu esperava, e com certeza deve ser algo bem mais interessante para alguém que conheça um pouco mais a fundo o assunto em questão do que eu. Não fosse isso e o fato do formato ser tão convencional, tão certinho, tão quadrado etc (entrevistas, e mais entrevistas, e paisagens bonitinhas, e mais entrevistas, e o tempo todo, e só, e), a nota aumentaria sensivelmente - não que isso seja necessariamente um aspecto negativo, mas sabe como é, correria de festival, poucas horas da noite aproveitadas, enfim.]

04 - A Vda é um Milagre (Zivot Je Cudo, Emir Kusturica, 04) - Cinema/dia4 [*FESTIVAL DO RIO*]

66

[Mais ´´curioso´´ do que qualquer outra coisa, acho. É diferente de tudo que eu já vi e/ou esperava ver (talvez porque não tenha visto os filmes anteriores do diretor, tem gente dizendo que este aqui torna-se até irrelevante para quem conhece toda a obra de Kusturica, tamanha a repetição - não é o meu caso, enfim). Há animais representando papéis essenciais na narrativa (juegues com tendências suicídas chorando desiludidos, ursos assassinos, gatos que não têm medo de cachorro etc), barulho até não poder mais, situações que beiram o nonsense. Kusturica vaga entre o absurdamente feliz e o histérico, e o resultado sai melhor que a encomenda: o tom é muito bem controlado o tempo todo, nunca chegando à felicidade excessiva (coisa que me irrita profundamente, seja lá onde for). Pode-se dizer que o filme se divide em três partes: a primeira, praticamente um teatro do absurdo, onde tudo é festa, os personagens são felizes, todos riem, há música por toda parte (a trilha sonora do filme é espetacular, e também bastante incomum, diferente, pelo menos para os meus ouvidos); a segunda, já depois que a guerra estoura, que explora o drama do protagonista separado da mulher e do filho, quase uma tragi-comédia (a hilária sequência dos soldados cheirando carreiras de cocaína na linha do trem, partidas de xadrez interrompidas por cavalos e explosões, etc); e a terceira, história do amor impossível entre o portagonista, agora apixonado, e uma enfermeira, que é feita por ele mesmo como prisioneira de guerra (a intenção é trocá-la pelo filho), não tão satisfatória quanto as outras - o casal apaixonado nunca chega a convencer, e isso compromete todo esse segmento do filme, que é fincado no caso Romeu e Julieta dos dois. O final com o (a?) jegue, que era pra ser engraçado e comovente, acaba por soar apenas engraçado. Não é o ideal, mas já é alguma coisa.]


05 - Água-Viva (Akarui mirai, Kiyoshi Kurosawa, 03) - Cinema/dia5 [*FESTIVAL DO RIO*]

44

[Oh, as pessoas quando gostam muito uma das outras. Oh, a água-viva se reproduzindo. Oh, o pai-sem-filho dando início ao processo de adoção. Oh, oh, oh. (...) Há uma cena capaz de traduzir muito bem o quanto isso aqui é limitado: dois personagens discutem feio, um grita com o outro etc. Um, revoltado, deixa o lugar. O outro percebe que foi duro demais, quando não queria ter sido. E aí diz: ''oh, não - fui duro demais, não queria ter sido''. Bem, pois é...]

06 - /Kill Bill Vol.2/ [2a] (iem, Quentin Tarantino, 04) - DVD/dia5

85

[Minha professora de inglês tem lugar reservado no céu - converteu (em conjunto com a minha pessoa, sejamos justos), dezenas de adolescentes fãs de, ahn, A ONDA DOS SONHOS, ao Quentintarantinismo. 2 tempos + intervalo (era opcional ficar na sala, e de 34 ficaram acho que 30) de silêncio absoluto, mais de 60 olhos vidrados na tela, todos soltando um ´´Ohhh!!!´´ sincronizado quando a Noiva torna possível o impossível etc. Quando alguém gritou ´´PORRA, OLHA A TRILHA SONORA!´´ me senti realizado. Recrutei um grupo para assistir no cinema, da devida meneira - também estou procurando garantir o meu espaço no paraíso, sabe como é.]

06 - Undertow (idem, David Gordon Green, 04) - Cinema/dia5 [*FESTIVAL DO RIO*]

60

[Desde que vi ALL THE REAL GIRLS (aquele maravilha...), naturalmente, passei a nutris de grande simpatia por David Gordon Green. Também (mas não apenas, é claro) por isso, prefiro acreditar que o principal problema deste Undertow seja a falta de liberdade do diretor. As sequências iniciais são um primor, mas são um primor raramente encontrado no resto do filme, que por grande parte de sua duração deixa um gosto amargo de thriller banal para ser esquecido e passar naquelas sessões de sábado à noite na Globo - supercine, ou algo assim. Por outro lado, é interessantíssimo ver Jamie Bell, conhecido por todos como o garotinho frágil de Billy Elliot, desempenhando agora o pepel do irmão mais velho (exato oposto do filme anterior, pois) que se vê tendo que tomar conta do caçula. O filme-dentro-do-filme que há aí é ótimo, e deve ser ainda melhor para alguém que acabou de assistir Billy Elliot (pode ser que Gordon Grenn seja realmente um gênio e tenha pensado Undertow dessa exata maneira, mas não dá pra ter certeza, talvez em uma revisão), mas são coisas como por exemplo a presença tão caricata do tio, aqui o cara ´´mau´´ da história, que me incomodam bastante. De qualquer forma, irei revê-lo, deve entrar em circuito e eu quero muito gostar (mais).]
posted by Guga 10:39 PM


07 - 29 Palmas (idem, Bruno Dumont, 04) - Cinema/dia6

49

[Talvez seja o típico filme que quer causar impacto, criar polêmica, ser adorado por um grupo seleto de público em festivais e e virar cult em prateleiras de locadoras. Mas não sei, há uma determinada cena que diz muito sobre os personagens com poucas palavras/imagens (um certo diálogo com relação a uma pessoa urinar e a outra assistir, que praticamente define a relaçao do casal protagonista em um istante), e é ela - e só ela - que me faz não ter tanta certeza assim quanto a picaretagem que o filme em si possa vir a ser. Quanto ao resto, é quase risível a insegurança do diretor disso aqui. Há metáforas terríveis, que servem (apenas na cabeça do cineasta, acredito) meio que para justificar o que se vê na tela. Exemplo: casal protagonista vê filme de arte na TV. Enquanto um faz cara de quem não tá entendo coisa alguma daquelas imagens que aparentemente não fazem sentido nenhum (são flashes de uma luz azul, se eu vi bem), o outro tece comentários mais ou menos assim: ´´nossa, mas é lindo, fabuloso!´´. Ou seja, quem não vê sentido no próprio 29 Palms - um filme, err, ´´difícil´´ -, não entende ou qualquer outra coisa, é burro, incapaz de fazê-lo. Exemplo 2: personagens estão conversando (sobre nada, sobre tudo, em um diálogo que não faz muito sentido), quando o homem diz: ´´por que nossas conversas são sempre assim desfuncionais? Isso é coisa de maluco, eu quero lógica, eu quero lógica´´, completa, com ares de revolta. Se isso não é subestimar o coitado do espectador, o que mais é? Exemplo 3: cena final, após um estupro, um esfaqueamento repentino e um suicídio, todos sem claras razões para terem acontecido. Policial vê o corpo de um homem no meio do deserto, e manda bloquearem a estrada. ´´Não quero que isso vire um escândalo, sensacionalismo´´, é o que diz. Err...se não é para achar graça, é para lamentar. Seja o que for, a verdade é que eu simplesmente não dou a mínima para 29 Palms.]

08 - Exílios (Exils, Tony Gatlif, 04) - Cinema/dia6

74

9 - Resident Evil 2: Apocalypse (idem, Alexander Witt, 04) - Cinema/dia8

19

10 - /Kill Bill Vol. 2/ [3a] (idem, Quentin Tarantino, 04) - Cinema/dia9

91

[Quando se contradizer completamente pode ser algo (muito) bom. Há um texto maior sobre o filme aqui.]

11 - Madrugada dos Mortos (Dawn of the Dead, Zack Snyder, 04) - DVD/dia9

63

12 - Em Carne Viva (In the cut, Jane Campion, 03) - DVD/dia12

57

13 - O Circo (The Circus, Charles Chaplin, 28) - DVD/dia13

72

[Ainda não decidi se gosto ou não do final, um tanto conformista por um lado, e isso altera a nota em uns 6 pontos para mais ou para menos. Mas de resto é Chaplin com todas as suas qualidades usuais, e ainda mais engraçado do que o de costume.]

14 - A Dona da História (idem, Daniel Filho, 04) - Cinema/dia14

42

15 - Blow Up: Depois daquele beijo (Blow Up. Michelangelo Antonioni, 66) - DVD/dia18

86

[Não tenho muitas palavras, o jogo de tênis me levou à nocaute. Fica pra próxima.]

16 - Na Captura dos Friedman (Capturing The Friedmans, Andrew jarecki, 04) - DVD/dia21

78

[Sem pensar muito, diria que é um filme sobre a verdade. Sobre as conseqüências a que se pode chegar quando um grupo de pessoas não compartilha de uma mesma visão acerca de um fato -- quando não têm a mesma concepção do que seja a "verdade", pois. No caso aqui, o fato é um pai de família e seu filho mais novo serem acusados de molestar diversos jovens, em alguma cidadezinha dos EUA. A narrativa é construída de tal maneira que torna-se impossível, para nós espectadores, estabelecer uma opinião acerca daquela história, decidir se os acusados são ou não culpados...Qual é a verdade por trás daquilo tudo, enfim. Assim como é para os personagens, que quando não estão completamente confusos (admito, não admito? Culpado, inocente? Pedófilo, não-pedófilo?), apresentam visões completamente diferentes uma das outras. A conclusão a que se chega, com o não-conclusivo final do documentário (que se mostra o tempo todo desinteressado no resultado das investigações; o foco aqui é no que a discordância pode -- e vai -- causar: tanto àquela família em especial, quanto à sociedade como um todo) é que não há uma verdade absoluta. Real e assustador -- talvez por estabelecer uma relação personagem/espectador de total intimidade (com uma pequena grande ajuda dos vídeos caseiros da família, vale dizer) --, trate-se de um filme imperdível.]

17 - As Bicicletas de Beleville (Les Triplettes de Beleville, Sylvain Chomet, 03) - DVD/dia22

40

[Finca-se na esquisitce e na estranheza -- e em nada mais (``oh, é incomum - uma animação onde há tiros, sequestros, acidentes atumobilístos! oh, veja como os personagens são desenhados, que estranho!´´) -- e acha estar fazendo muito; mas, bem, cara feia pra mim é fome. Chato, longo (e tem só 70 e poucos minutos) e oco. Não tenho paciência pra esse tipo de coisa. Pode até lembrar Delicatessen, mas bah, quem se importa?, Delicatessen é outra porcaria.]

18 - Albergue Espanhol (L´auberge Espagnole, Cédric Klapisch, 02) - DVD/dia23

68

19 - Noites de Cabíria (La Notti Di Cabiria [ou algo parecido, estou escrevendo de cabeça por preguiça de ir ao IMDb ou something], Federico Fellini, 57) - DVD/dia29

75

posted by Guga 10:37 PM


01 - O prisioneiro da grade de ferro (auto-retratos) (idem, Paulo Scramento, 04) - DVD/dia1

80

02 - Mar Aberto (Open Water, Chris Kentis, 03) - Cinema/dia3

39

[Não sei onde encontrar motivos para elogiar um filme desses, sinceramente. Tão ruim quanto A Bruxa de Blair, que é a comparação que as pessoas têm usado para falar bem deste aqui. Faz sentido; é o mesmo estilo de filminho independente metido a genial que não tem nada a oferecer além de...bem, um filminho independente metido a genial (mas oco, vazio). Tenso e assustador? Acredito que se fosse o caso eu não teria aproveitado boa parte da projeção para roncar na poltrona daquele multiplex muito bem refrigerado -- e é essa minha principal lembrança da sessão de Mar Aberto. O final teoricamente corajoso é tão óbvio quanto o de, ahn, Adaptação (eu estranharia se houvesse um happy ending meloso em um filme que faz de tudo para ser considerado incomum e, err, corajoso -- quando na verdade não o é) e condizente com o que o filme se propôe a ser -- portanto, não há coragem alguma aí (é como se denominasse-se coragem o fato de uma comédia romântica hollywoodiana terminar com mocinho e mocinha juntos e felizes). Nota pessoal: cotação tende a cair.]

03 - /Encontros e Desencontros/ [5a] (Lost In Translation, Sofia Coppola, 03) - DVD/dia5

95

[Ah, tava precisando. Já se tornou pra mim o que só Magnólia e alguns outros filmes foram capazes se tornar: é como remédio, droga. Há certos momentos em que eu simplesmente preciso ver, não há como evitar. Chorei menos dessa vez, e é uma sensação tão boa mas tão boa que é logicamente inexplicável. Segue firme e forte na louvável posição de #1 da lista de melhores do ano.]

04 - Super Size Me (idem, Morgan Spurlock, 03) - DVD/dia10

60

05 - American Graffiti, Loucuras de Verão (American Graffiti, George Lucas, 73) - DVD/dia15

74

[Meu lado emotivo quer adorar e ver de novo até cansar, enquanto meu lado racional quer apontar defeitos e dizer "é, mas...". Na verdade, não é difícil fazer uma coisa nem outra. Há esteriótipos e personagens-peça quase que na mesma proporção em que há personagens crescendo humanamente com o andar da carruagem. Aquela noite equivale a anos na vida dos jovens em questão, e as transoformações pelas quais estes passam à medida que as coisas vão acontecendo, apesar de bem evidentes (quem diria que o John Milner que abaixa as calças do nerd no começo do filme é o mesmo cara que o ajuda em uma briga no final etc), fluem de forma bastante natural. É agradabilíssimo de se ver, lida como poucos com situações-clichê e, apesar de possíveis defeitos, acredito que haja a maior e mais imoportante das qualidades: força suficiente para aguentar a alcunha de clássico. Belo filme.]

06 - Sob o Domínio do Mal (The Manchurian Candidate, Jonathan Demme, 04) - Cinema/dia17

52

[Talvez seja até razoável, mas certamente não é nem metade do que vêm sendo dito por aí. Na verdade, acho que apesar das pretensões (claras, certo?), está longe de poder ser considerado um thriller político (ou um drama político, ou um filme de ação político, ou um qualquer-coisa político). Tem até um bakcround BACKGROUND nesse sentido, e é inevitável que sejam feitas uma ou duas associações, mas bem, backround BACKGROUND até "Celebridade" tem -- e você concorda que a novela das oito não tinha muita coisa a dizer sobre fama, certo? É a eterna luta do bem contra a mal mais uma vez disfarçada, ornamentada -- lá e aqui. Ou então eu sou muito preguiçoso para encontrar algo além disso, tanto na trama de Gilberto Braga quanto na de Jonathan Demme. Agulha em palheiro não é comigo. Há personagens e situações interessantes, mas eles me parecem bastante subaproveitados sempre (Denzel Washington é paranóico, então filma-se o cidadão vendo coisas que supostamente não existem, que somem e aparecem na tela -- há algo mais óbvio e saturado que isso? Deus...), e coisas como a voz que ordena os comandados e estes respondendo com um sorriso são extremamente constrangedoras, quase me fazem afundar na poltrona do cinema. Só enfatizando: a paranóia do protagonista nunca é bem explorada, já que desde o começo sabe-se que ele NÃO É PARANÓICO e é só uma questão de tempo para que as coisas fiquem claram para nós e para ele (o que obviamente faz com que tensão que uma ou outra situação -- praticamente o filme inteiro, em boa verdade -- teoricamente deveria causar desça pelo ralo como água em seu estado mais líquido). Alguém como Denzel Washington não pode protagonizar um produto desses fazendo papel de vilão, onde já se viu? Estou com medo do original, já que é com Frank Sinatra. Meryl Streep é outra que poderia render muito mais como a vilã gananciosa e sem escrúpulos, mas acaba reduzida à, ahn, uma mera vilã gananciosa e sem escrúpulos. Enfim, para um thriller a ser visto sem maiores expectativas, não fede nem cheira (mas pelo menos isso). Agora, qualquer esperança em relação a algum comentário sobre política, paranóia ou pior ainda: as duas coisas juntas (o que é natural, em um filme que quer ser tão engajado e relevante), pode e vai causar decepção.]

07 - Todo Mundo Quase Morto (Shaun of the Dead, Edgar Wright, 04) - DVD/dia20

50

08 - O Buquê (C´est le bouquet!, Jeanne Labrune, 02) - DVD/dia21

77

09 - Metido em Encrencas (Biloxi Blues, Mike Nichols, 88) - DVD/dia21

72

10 - Moça com Brinco de Pérola (Girl with a Pearl Earring, Peter Webber, 03) - DVD/dia30


52

01 - Os esquecidos [The forgotten, Joseph Ruben. EUA, 04. Visto no cinema] 40

Culpem a câmera que não pára de tremer, e girar, e ir de um lado para o outro -- é ela quem dá claramente a entender que os realizadores desta propensa comédia do absurdo querem que o pobre do espectador leve tudo aquilo a sério, e saia do cinema fazendo profundas reflexões. No geral é nada além de lamentável, a nota é essa apenas por causa de Julianne Moore e por algum outro motivo desimportante qualquer.

02 - Os incríveis [The incredibles, Brad Bird. EUA, 04. Visto no cinema] 61

As cenas de ação são pra mim não mais do que excelentes oportunidades para se ver a hora no celular, ir ao banheiro, comprar pipoca ou simplesmente dar uma cochilada nas certamente confortabilíssimas poltronas do multiplex frequentado pela sua pessoa. O vilão é péssimo, bastante sem graça principalmente se levarmos em conta que se trata do vilão de um filme como esse (com apelo humorístico e direcionado para cidadãos de todos os mais variados grupos de idade) e provavelmente a escolha mais óbvia de personagem-que-vai-fazer-o-cara-mal-da-história da idem-com-"h"-maiúsculo. Infelizmente os coadjuvantes seguem essa mesma linha, e chega a ser triste pensar que se havia a peixinha sem memória em "Procurando nemo", aqui há a estilista-pé-no-saco e...Gelado! Além disso, me decepciona também perceber que há pouquíssima ironia na maneira como o filme trata os super-heróis, e como praticamente apenas reforça-se uma idéia pré-concebida em relação a estes. Acredito que não era pedir demais algo um pouquinho mais consistente e/ou menos incomum, e tudo que ganho nesse aspecto é um diálogo bem legal ("todos somos especias", diz a mãe. "...o que é uma outra maneira de dizer que nenhum de nós é", retruca o filho), mas isso não é o suficiente para satisfazer esse não muito rigoroso ser que vos escreve. Gosto, também em matéria de diálogos, de alguns isoladamente -- como por ex. aquele que em míseros 10-15 segundos destrói a metragem de "Sob o domínio do mal" inteira ("Você só me respeita porque eu sou uma ameaça. Mas é assim que funciona, milhões de pessoas, PAÍSES INTEIROS fazem isso") ou o das escolas celebrando a mediocridade. De resto há uma meia dúzia de situações engraçadas e um final conciliador com gancho grosseiro para uma continuação, mas há também aquela sequência da corrida no finalzinho que é o que segura, mesmo que aos trancos e barrancos, a cotação na casa dos 60.

03 - Celular: um grito de socorro [Cellular, David R. Ellis. EUA, 04. Visto no cinema] 47

Considerando o fato de que eu não me diverti nada com o filme, de que outro jeito posso elogiá-lo? Sim, é até um cocô que sabe bem o quanto fede, e isso ajuda um pouco as coisas, mas daí a me fazer dizer que é um cocô muito bom, deliciosamente consciente a ponto de recomendá-lo para pessoas inocentes...sei não, mas não é pedir um pouco demais?

05 - Um natal muito, muito louco [Christmas with the kranks, Joe Roth. EUA, 04. Visto no cinema] 28

Moralista, reacionário, sem graça, americano até não poder mais. Nada que vá te surpreender, enfim.

06 - Redentor [idem, Claudio torres. BRA, 04. Visto no cinema] 62

07 - Bem-vindos [Tillsammans, Lukas Moodysson. SUE, 00. Visto na TV] 65

Moodysson implanta uma mãe de família e seu casal de filhos em uma comunidade hippie dos anos 70 para dizer que os extremos nunca funcionam, que é preciso conviver com os defeitos para usufruir das virtudes, etc. Discuro bonitinho, boas atuações, algumas cenas excelentes (outras nem tanto) e um filme OK, bom, mas que não entusiasma. Prefiro Fucking Amal.

08 - Os contos de canterbury [I racconti di canterbury, Pier Paolo Pasolini. ITA/FRA, 72. Visto na TV] 36

Pasolini prega emprestado meia dúzia de contos obscenos de Chaucer para filmar meia dúzia de cenas de sexo e fazer um - oh! - poderoso ataque ao moralismo. É isso, apenas isso e nada mais do que isso. Para que fosse cultuado à época de seu lançamento, até concordo que não precisava de mais muita coisa; mas hoje?! Soa no mínimo constrangedoramente datado. E é vazio, extremamente vazio, vazio feito mesa de docinho em fim de festa infantil. Com personagens que estão mais para peças de exposição de seus próprios órgãos genitais do que para qualquer outra coisa e tentativas de humor amplamente lamentáveis, o resultado final é digno de adolescente revoltado que quer protestar mas não sabe como. Uma bosta.

09 - Vai trabalhar vagabundo [idem, Hugo Carvana. BRA, 73. Visto na TV] 64

10 - /Elefante/ [Elephant, Gus Van Sant. EUA, 03. Revisto em DVD] 84

11 - Anti-herói americano [American splendor, Shari Springer Berman e Robert Pulcini. EUA, 03. Visto em DVD] 82

Dos melhores filmes biográficos (não necessariamente biográficos, mas que falam a respeito de algum personagem específico e mantêm um foco maior nele a maior parte do tempo) que já vi. Cinema que investiga o ser humano da melhor qualidade, como esse tipo de cinema, acredito eu, deve ser -- afinal nenhum ser humano é tão uma coisa só, tão uma única pessoa, para que não se confuda ou mude de figura por um minuto sequer. Os diretores, apesar de já bem maduros (40 anos cada um), parecem conservar algumas das melhores características comuns à juventude. A vontade de mostrar ao mundo suas idéias, externar seus reciocínios etc, é imensa e bem evidente. E o que poderia se transformar em algo ruim, caso não se soubesse lidar muito bem com isso, aqui é revertido a uma vivacidade incrível, faz do filme uma obra intensa, viva. Mas muito disso é proveniente, acho, do farto de que a dupla de cineastas não poderia ter escolhido um filme melhor para botar suas idéias em ação. Ou melhor: um personagem melhor. Harvey Pekar é algo confuso, que não sabe bem quem é nem como ser. O que acho admirável, em American Splendor, é a ambição onipresente em se revelar, em se descobrir quem é aquele personagem, quem é aquela pessoa. Há cenas memoráveis, como aquele monólogo da lista telefônica, ou o momento em que Pekar, àquela altura à beira da morte, questiona se, com ele morto, o perosnagem continua, ainda vive. A conclusão a que se chega é que ninguém é uma pessoa só, e está durante toda a vida descobrindo a si mesmo. Naturalmente óbvia, mas não vejo outra possível.

12 - Decameron [idem, Pier Paolo Pasolini. ITA/FRA, 71. Visto na TV] 69

A primeira parte da trilogia da vida, que vejo depois de ter visto a segunda, e é um grande avanço em relação à esta. Como em Contos de Canterbury, há também aqui o moralismo como principal alvo, com a diferença de que o tema dessa vez é tratado com muito mais inteligência, maturidade e ironia. Dá suas alfinetadas na burguesia e na Igreja sempre que possível, mas o interesse mesmo é em qustionar a (a)moralidade das coisas, acredito. Acaba por ser uma comédia moral realmente engraçada (o episódio das freiras e o da transformação de mulher em égua são especialmente hilários), que cumpre de forma bastante razoável seu papel. Só me incomodo com Pasolini interpretando um pintor buscando inspiração para pintar as paredes de uma igreja, é uma faceta do filme da qual ainda não descbri a função (ou se há uma, de fato). De qualquer forma, espero que a terceira parte siga essa linha e não a de Canterbury.

13 - /Os incríveis/ [The incredibles, Brad Bird. EUA, 04. Revisto no cinema] 61

Revi, dessa vez legendado, mas não ajudou muito. Pior filme vindo da Pixar já visto por mim, e uma bela decepção. Daria 59 fácil, mas é que aquele número 2 na camisa do personagem-filho na sequência da corrida é irresistível. Sobrevive à casa dos 60, ao menos. (Ler comentário #02)


Revi, dessa vez legendado, mas não ajudou muito. Pior filme vindo da Pixar já visto por mim, e uma bela decepção. Daria 59 fácil, mas é que aquele número 2 na camisa do personagem-filho na sequência da corrida é irresistível. Sobrevive à casa dos 60, ao menos. (Ler comentário #02)

14 - Papai noel às avessas [Bad Santa, Terry Zwigoff. EUA, 03. Visto no cinema] 64

Me parece um filme que não sabe exatamente se quer A) simplesmente ser uma peça de subversão (algo que vire o "espiríto de natal" de cabeça pra baixo e vá na direção contrária de tudo aquilo que é o "padrão" ou o "comum") ou B) desenvolver personagens, observar comportamentos humanos, etc. Mas, na medida do possível, essa acaba por se tornar uma indecisão saudável, por assim dizer, uma vez que cadencia essas duas facetas do filme. Pode ser vista por dois ângulos, no entanto: o espectador que espera que se leve uma dessas duas facetas adiante, às últimas consequências, certamente sairá decepcionado do cinema (e, que seja frisado, na medida do possível: um filme com uo intuito de ser subersivo, teoricamente deveria -- veja se estou certo -- desumanizar os personagens, e não o contrário -- que é o que acontece, numa dose no mínimo bem exagerada, lá pelos 70 minutos de projeção). Caso contrário (caso não se cobre nada significativo de nenhuma dessas vertentes) serão 90 minutos de meia dúzia de BOAS gargalhadas, uns 15 "fuck me, santa!" vindos dos lábios carnudos da sra. Gilmore (que, diga-se de passagem, é ALGO) e toques de humanismo bem-vindos aqui e ali. Nesse caso, e esse é o meu caso, não é nada que vá te impedir de apreciar os momentos finais de uma quase-redenção que anda torturando uns e outros quase-fãs do filme.

15 - Alfie, o sedutor [Alfie, Charles Shyer. EUA, 04. Visto no cinema] 59

No filme eu não prestei muita atenção (tenho impressão de que há uma quantidade significativa de clichês e coisas do gênero, mas as atuações são bacanas e cria-se uma atomosfera de maneira surpreendentemente talentosa à medida que a narrativa pede que o clima mude -- acho que já posso gostar de uma comédiazinha romântica desimportante por isso, certo?), mas esse título não é absolutamente ridículo? Digo: qual a grande diferença entre "Alfie - o sedutor", e "Alfie - um macaco trapalhão"? Ou: "Alfie - um bulldog muito do esperto!" Ou ainda: "Alfie - uma foquinha superdotada!". Que da próxima vez dêem um nome de gente ao personagem-título, por favor.

16 - O diário de bridget jones: no limite da razão [Bridget jones diary: the edge of reason, Beeban Kidron. EUA, 04. Visto no cinema] 42

17 - Galera do mal [Saved!, Brian Dannelly. EUA, 04. Visto no cinema] 62

18 - Doze homens e outro segredo [Ocean´s Twelve, Steven Soderbergh. EUA, 04. Visto no cinema] 41

posted by Guga 10:36 PM


Encontros e Desencontros 95
(Lost In Translation, EUA, 2003) Direção: Sofia Coppola.

Kill Bill: Vol. 1 93
(Kill Bill: Vol. 1, EUA, 2003) Direção: Quentin Tarantino.

Kill Bill: Vol. 2 91
(Kill Bill: Vol. 2, EUA, 2004) Direção: Quentin Tarantino.

Antes do Pôr-do-Sol 90
(Before Sunset, EUA, 2003) Direção: Richard Linklater

Elefante 84
(Elephant, EUA, 2003) Direção: Gus Van Sant.

Anti-Herói Americano 81
(American Splendor, EUA, 2003) Direção: Robert Pulcini e Shari Springer

O Prisioneiro da Grade de Ferro 80
(idem, Brasil, 2003) Direção: Paulo Sacramento.

Na Captura dos Friedmans 78
(Capturing the Friedmans, EUA, 2003) Direção: Andrew Jarecki.

A Vila 77
(The Village, EUA, 2004) Direção: M. Night Shyamalan.

Escola de Rock 76
(School of Rock, EUA, 2003) Direção: Richard Linklater.

Terra De Sonhos 76
(In America, EUA/Irlanda, 03) Direção: Jim Sheridan.

Zatoichi 74
(Zatoichi, Japão, 2003) Direção: Takeshi Kitano.

Swimming Pool - À Beira Da Piscina 74
(Swimming Pool, França, 2003) Direção: François Ozon.

O Buquê 73
(C'est le Bouquet, França, 2002) Direção: Jeanne Labrune.

Efeito Borboleta 72
(The Butterfly Effect, EUA, 2004) Direção: Eric Bress E J. Mackye Gruber.

Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas 72
(Big Fish, EUA, 2003) Direção: Tim Burton.

Whisky 71
(idem, Uruguai/Argentina, 2003) Direção: Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll.

Ligado em Você 71
(Stuck On You, Peter E Bobby Farrelly, 03) Direção: Peter e Bob Farrelly.

O Agente da Estação 70
(The Station Agent, EUA, 2003) Direção: Thomas McCarthy.

Homem-Aranha 2 70
(Spiderman 2, EUA, 2004) Direção: Sam Raimi.

Fahrenheit 11 de Setembro 69
(Fahrenheit 9/11, EUA, 2004) Direção: Michael Moore.

Shrek 2 69
(idem, EUA, 2004) Direção: Andrew Adamson, Kelly Asbury e Conrad Vernon.

O Terminal 69
(The Terminal, EUA, 2004) Direção: Steven Spielberg.

Papai Noel às Avessas 68
(Bad Santa, EUA/Alemanha, 2003. Direção: Terry Zwigoff

Como Se Fosse A Primeira Vez 65
(Fifty First Dates, EUA, 2004) Direção: Peter Segal.

Por Um Triz 65
(Out of Time, EUA, 03) Direção: Carl Franklin.

Cabana do Inferno 64
(Cabin Fever, EUA, 02) Direção: Eli Roth

Igual a tudo na vida 64
(Anything Else, EUA, 04) Direção: Woody Allen

Madrugada dos Mortos 63
(Dawn Of The Dead, EUA, 2004) Direção: Zack Snyder.

Primavera, Verão, Outono, Inverno... E Primavera 63
(Bom Yeorum Gaeul Gyeoul Geurigo Bom, Coréia Do Sul/Alemanha, 2003) Direção: Kim Ki-Duk.

A Galera do Mal 62
(Saved!, EUA, 2004) Direção: Brian Dannelly.

Os Incríveis 61
(The Incredibles, EUA, 2004. Direção: Brad Bird.

Os Sonhadores 61
(The dreamers, ITA/FRA/ING, 2004) Direção: Bernardo Bertolucci.

Sexta-Feira Muito Louca 60
(Freaky Friday, EUA, 03) Direção: Mark S. Waters.

Redentor 60
(idem, Brasil, 2004) Direção: Cláudio Torres.

Shattered Glass: O Preço de uma Verdade 60
(Shattered Glass, EUA, 2004.) Direção: Billy Ray

Super Size Me - A Dieta do Palhaço 59
(Super Size Me, EUA, 2004) Direção: Morgan Spurlock.

Em Carne Viva 59
(In The Cut, EUA, Austrália, 2003) Direção: Jane Campion.

Hellboy 59
(idem, EUA, 2004) Direção: Guillermo Del Toro.

Eu, Robô 58
(I, Robot, EUA, 2004) Direção: Alex Proyas.

21 Gramas 57
(21 Grams, EUA, 2003) Direção: Alejandro Gonzalez Iñarritú.

Alfie, o Sedutor 57
(Alfie, EUA, 2004) Direção: Charles Shyer.

Cold Mountain 55
(idem, EUA, 2003) Direção: Anthony Minghella.

Diários de Motocicleta 55
(The Motorcycle Diaries, EUA, 2003) Direção: Walter Salles.

Starsky & Hutch - Justiça em Dobro 53
(Starsky & Hutch, EUA, 2004) Direção: Todd Phillips.

Colateral 53
(Collateral, EUA, 2004) Direção: Michael Mann

Meninas Malvadas 53
(Mean Girls, EUA, 2004) Direção: Mark S. Waters.

Sob o Domínio do Mal 52
(The Manchurian Candidate, EUA, 2004) Direção: Jonathan Demme.

Moça com Brinco de Pérola 52
(Girl with a Pearl Earring, Inglaterra/Luxemburgo, 2003) Direção: Peter Webber.

O Dia Depois de Amanhã 51
(The Day After Tomorrow, EUA, 2004) Direção: Roland Emmerich.

Cazuza - O Tempo Não Pára 51
(idem, Brasil, 2004) Direção: Sandra Werneck e Walter Carvalho.

Confidence - O Golpe Perfeito 51
(Confidence, EUA, 2003) Direção: James Foley.

Em Nome De Deus 50
(The Magdalene Sisters, Peter Mullan, 02) Direção: Peter Mullan.

Revelações 50
(The Human Stain, EUA, 03) Direção: Robert Benton.

Todo Mundo Quase Morto 50
(Shane of the Dead, ING, 2004) Direção: Edgar Wright.

Pelé Eterno 49
(idem, Brasil, 2004) Direção: Aníbal Massaini Neto.

A Janela Secreta 49
(Secret Window, EUA, 2004) Direção: David Koepp.

Celular - Um Grito de Socorro 47
(Cellular, EUA, 2004) Direção: David R. Ellis.

Lance de Sorte 46
(The Good Thief, França/Grã-Bretanha/Irlanda/Canadá, 2003) Direção: Neil Jordan.

Show de Vizinha 46
(Girl Next Door, EUA, 2004) Direção: Luke Greenfield

Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças 45
(Eternal Sunshine of the Spotless Mind, EUA, 2004) Direção: Michel Gondry.

Doze Homens e Outro Segredo 45
(Ocean´s Twelve, EUA, 2004) Direção: Steven Soderbergh

Matadores de Velhinhas 44
(The Ladykillers, EUA, 2004) Direção: Irmãos Coen
Leis da Atração 44
(Laws Of Attraction, EUA, 2003) Direção: Peter Howitt.

Lições para Toda a Vida 44
(Secondhand Lions,EUA, 2003) Direção: Tim McCanlies.

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban 43
(Harry Potter and the Prisioner of Azkaban, EUA, 2004) Direção: Alfonso

O Último Samurai 39
(The last samurai, EUA, 2004) Direção: Edward Zwick.

As Bicicletas de Belleville 38
(Les Triplettes de Belleville, França/Bélgica/Canadá, 2003) Direção: Sylvain Chomet.

Os Esquecidos 37
(The Forgotten, EUA, 2004) Direção: Joseph Ruben.

Alguém Tem Que Ceder 37
(Something's Gotta Give,EUA, 2003) Direção: Nancy Meyers.

Mestre dos Mares: O Lado Distante do Mundo 37
(Master and Commander: The Far Side of the World, EUA, 2003) Direção: Peter Weir.

Mar Aberto 37
(Open Water, EUA, 2003) Direção: Chris Kentis.

Ken Park 25
(idem, EUA, 02) Direção: Larry Clark e Ed Lachman.

Dogville 35
(idem, EUA/Dinamarca, 2003) Direção: Lars von Trier.

Bridget Jones: No Limite da Razão 33
(Bridget Jones: The Edge of Reason, EUA/Inglaterra, 2004) Direção: Beeban Kidron.

A Dona da História 32
(idem, Brasil, 2004) Direção: Daniel Filho.

Mar de Fogo 30
(Hidalgo, EUA, 2004) Direção: Joe Johnston

No Pique de Nova York 29
(New York Minute, EUA, 2004,), Direção: Dennie Gordon.

A Paixão de Cristo 28
(The Passion of the Christ,EUA, Itália, 2004) Direção: Mel Gibson.

Mulheres Perfeitas 27
(The Stepford Wives, EUA, 2004) Direção: Frank Oz.

Um Natal Muito, Muito Louco 25
(Christmas with the Kranks , EUA, 2004) Direção: Joe Roth.

Tróia 25
(Troy, EUA, 2004) Direção: Wolfgang Petersen

Viva Voz 22
(idem, Brasil, 2004) Direção: Paulo Morelli.

Encantadora De Baleias 20
(Whale Rider, Niki Caro, 2003) Direção: Niki Caro.

posted by Guga 1:33 PM


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